domingo, 28 de agosto de 2011

Refletindo!!

Posted by Daniela Carvalho | domingo, 28 de agosto de 2011 | Category: |

Apelos do mundo




Em exagero, a humanidade ouve vozes gritantes: Capitalismo! Neoliberalismo! Liberdade de expressão... Perpassando as páginas da história, percebemos os avanços e inovações humanas: de andar nu, passa-se a usar roupas; de gestos e pinturas rupestres a comunicação verbal; de nômade a sedentário; da agricultura a industrialização; de Teocentrismo a Antropocentrismo; de Cristianismo a ateísmo...

Vozes, vozes e mais vozes... O que será isso? O homem, cada vez que a modernidade aparece, perde mais fé. Não percebe que, obscuramente, a máquina substitui o labor humano, o prazer de pegar em uma enxada para capinar, uma agulha para costurar, ou ainda, um livro para ler, tudo isso não existe mais, infelizmente. Dá mais importância a tecnologia, por exemplo, que esquece de si próprio, pois não tem tempo para a família, amigos, Igreja... Igreja? Enquanto não entendermos o que é ter fé, não entenderemos o que é Igreja. No entanto, a voz de falsos profetas ecoa e, absurdamente, ganha espaço no contexto social em que vivemos. Exemplificando: Na Idade Média, a fúria dos cavaleiros podia ser confundida com a voz da Igreja, porque homens e mulheres a defendia sem medo, eram inundados pela fé. E hoje, quem defende uma instituição ou luta por seus direitos? Poucos. A ditadura do poder e do ter, está camuflada em nosso meio, e nos contentamos com o pouco, pouca esperança, pouco amor, pouca fé, mas não pouco dinheiro, pouca beleza, pouco poder... A humanidade está cansada desse turbilhão de vozes! Nessa miscelânea social, encontramos duas facetas que, ainda hoje, são antagônicas e sobrenaturais, quanto de um lado, quanto do outro: Ciência e Religião. Discussão que vai longe, se pararmos para refletir. Ambas caminham vagarosamente, acredito. As massas se curvam para a ciência – Que Deus? Dizem os cientistas –, enquanto esse Deus, muitas vezes, torna-se o segundo plano de tudo. As tecnologias vão surgindo, e o povo sempre com menos fé. Quais são as famílias hoje, que se reúnem para meditar os mistérios do terço? Quase nenhuma. Quais vão a Igreja dominicalmente? Poucas. Primordialmente, quem ensina seus filhos e netos a rezar? Quase ninguém. Onde encontraremos força para continuar nossa jornada na vida terrena? No dinheiro? No lucro exacerbado? Na solidão.

Tudo o que é produzido é mérito da ciência, medicina, política... A Religião, apenas congrega pessoas em templos, falam; chegam a dizer que é o “ópio do povo”, ou seja, a “ilusão do povo”, muito enganados estavam, pois as igrejas, mesmo não tão cheias, sobrevivem aos ataques da mídia e dos que acreditam ser “concorrentes”, e há pessoas que continuam a contribuir para o seguimento da Igreja de Jesus Cristo.

É de Leonardo Boff a frase: “Só não tem fé, quem não teve uma experiência de Deus”. A fé, também, sempre esteve presente na história humana. Hoje, em que acreditamos? Na ciência que não evolui, diz Thomas Kuhn; no capitalismo que gera desigualdade social; na mídia, muitas vezes, tendenciosa; em Deus. Deus?

Para muitos jovens hoje, três aspectos vergonhosos existem: a primeira vergonha é sair com a família, essa que, por vezes, é antiquada e prosaica, “família” que não tem caráter de família, pois a educação nem sempre é ensinada, tanto moral, como religiosa, lembrando que a primeira escola é familiar, assim como a primeira catequese. A segunda vergonha é a virgindade, que não é mais mantida até o casamento, já que o sexo não tem mais caráter procriativo, apenas, “lazer, prazer, passa-tempo”. O adolescente tem vergonha de ser “virgem”, que vergonha. A terceira vergonha é de ir a Igreja, lugar obsoleto para se celebrar, é melhor celebrar uma festa, um campeonato, uma balada... que até é esquecido o lugar onde fomos batizados, fizemos nossa primeira comunhão, nos tornamos adultos na fé pelo Crisma, e onde raramente voltamos. O Corpo de Cristo (alimento espiritual), fica, muitas vezes, esquecido no tabernáculo, porque não é visitado, seja para rezar, pedir, agradecer... agradecer os nossos dons e bens, sonhos e conquistas, também nossas dificuldades, sofrimentos, angústias, depressões e cruzes. Deve-se entregar a Deus, tudo o que temos e somos, e reconhecer que “tudo” que acontece em nossas vidas, é ação divina, através do Espírito Santo, somos impelidos a realizar as tarefas diárias.

Por outro lado, outra essencialidade é prejudicada, agora não sei se é pela falta de fé, pelo acúmulo de tecnologias, pela mentalidade social... essa que é a VIDA. Vitalidade humana ameaçada! Seja pelo aborto, violência, drogas, entre tantos outros males. O Documento de Aparecida (2007) nos alerta: “... os cristãos precisam recomeçar a partir de Cristo, a partir da contemplação de quem nos revelou em seu mistério a plenitude do cumprimento da vocação humana e de seu sentido. (...) necessitamos, ao mesmo tempo, que o zelo missionário nos consuma para levar ao coração da cultura de nosso tempo aquele sentido unitário e completo da vida humana que nem a ciência, nem a política, nem a economia, nem os meios de comunicação poderão proporcionar-lhe. (...) Como nos disse o Papa Bento XVI: ‘Só quem reconhece a Deus, conhece a realidade e pode responder a ela de modo adequado e realmente humano’.” (cf. págs. 30-31). Andando pelas ruas de nossas cidades, vemos pessoas precisando de teto, comida, bebida, e também, de amor. Ou até somos tão humanos que não reconhecemos a vida num óvulo depois de fecundado. O que foi feito pelo amor, acaba com um crime (até quando será crime?). Complementando com as palavras de dom José Jovêncio Balestieri, SDB: “Mergulhados numa sociedade que aceita a inércia diante da “cultura de morte”, gritemos com voz de bardo: Vida sim! Sim à vida!”. Precisamos conhecer nossa realidade e, à medida do possível, tentar renová-la, modificá-la, transformá-la. “A pessoa sempre procura a verdade de seu ser, visto que é esta verdade que ilumina a realidade de tal modo que possa nela se desenvolver com liberdade e alegria, com prazer e esperança” (DA, pág. 31). A Igreja, a seu modo, procura respostas a essas mentalidades deturpadas e embriagadas pelo sistema que visa o ter e não o ser, trazendo luz à humanidade.

Com certeza, a Igreja Católica “errou” em algum período da história, já que se fala “Igreja Santa e pecadora”. O beato papa João Paulo II, um dia disse: “Hoje eu, papa da Igreja de Roma, em nome de todos os católicos, peço perdão das afrontas cometidas contra os não católicos no curso da história atribulada destes povos; e, ao mesmo tempo, asseguro o perdão da Igreja católica por aquilo de mal que sofreram seus filhos”. A seu exemplo de vida e santidade, sejamos verdadeiros cristãos, que vivam intensamente a fé e o seguimento de Jesus Cristo, o Salvador.

Por conseguinte, ao invés de olhar os pequenos deslizes de testemunho, e de acreditar em tudo que a máfia midiática apresenta sobre a Igreja de Jesus Cristo, prestemos atenção nos milhares de boas obras do catolicismo e, com fé e amor, testemunhemos Jesus Cristo ressuscitado e enchamos as igrejas, mostrando nosso empenho naquilo que é de Deus. Demo-nos as mãos e formemos uma fraternidade universal, enraizada no Evangelho e enriquecida pela oração. O mundo espera muito de nós, cristãos, demos a ele, a resposta: “A Igreja caminha com a minha ajuda, faça a sua parte – testemunhe – com amor”. Roguemos a Santíssima Trindade, que nos dê forças para continuar nossa missão, de levar todos à fé, e respondendo sempre, aos apelos do mundo.


Seminarista Geferson Guisso, 17 anos
Ipuaçu (SC)



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